
[ Perfil ]
Nome: Rodrigo Medeiros
Idade: 29 anos
Profissão: Jornalista
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COMO NOS VELHOS TEMPOS
Uma das melhores partidas do Brasileirão 2005, se não a melhor, até aqui. Os papais Alvinegros foram presenteados no dia dos pais com uma atuação de gala que, se não trouxe a vitória e uma melhor colocação no ranking, encheu os olhos dos que gostam de futebol. A partida entre Botafogo e Santos, um clássico sempre envolto em nostalgia, terminou empatada em 3x3.
Os gols do Fogão foram marcados por Alex Alves (2, sendo um de pênalti) e pelo zagueiro Emerson, que não joga contra o Fortaleza no próximo domingo por ter tomado o 3º cartão amarelo. O Botafogo saiu na frente, a despeito do favoritismo santista e do meu pessimismo para com o desempenho do BFR, e poderia ter vencido a partida, mas o empate acabou sendo um resultado mais justo para as duas equipes qe jogaram muito. Destaque para o Robinho, que executou lances memoráveis.
O Botafogo agora ocupa a 8ª colocação, a pior até aqui, e precisa da vitória para não se distanciar ainda mais dos líderes. A boa nova é que o lateral Ruy, o cabeção do Fogão, está de volta e pode jogar contra o Fortaleza. Bill também deverá estar na equipe.
Esperemos o desenrolar dos fatos da semana.
SA!
AMOR AO BOTAFOGO ENTREVISTA
Entrevistado do mês: Roberto Porto
A segunda edição do Amor ao Botafogo Entrevista, seção mensal com grandes nomes ligados ao universo Botafoguense, conversa esse mês com o veterano jornalista esportivo Roberto Porto. Porto, com mais de 40 anos de jornalismo esportivo nas costas, é atualmente colunista do clássico diário esportivo carioca Jornal dos Sports e integra a equipe do programa "Loucos por Futebol", da ESPN Brasil. Teve a honra de transitar em meio à grandes figuras da história do Fogão e viu Garrincha, Nílton Santos, Didi e companhia defendendo nossas cores nos auges de suas carreiras.
Sua profissão o possilitou constituir-se em uma verdadeira enciclopédia ambulante sobre o Glorioso. Roberto Porto possui um vasto material que inclui imagens raras e histórias pouco conhecidas. Tudo isso ele compartilha conosco no livro "Botafogo -
101 anos de histórias, mitos e superstições", que será lançado no próximo dia 12, mas está em pré-venda a preço promocional na internet.
Para maiores informações sobre como adquirir o seu exemplar, acesse o Vestiário Alvinegro (ver "links Amigos"); e para conhecer um pouco mais sobre Roberto Porto, sua história e seu livro, leia a entrevista abaixo.
Amor ao Botafogo - Olá, Roberto. É um prazer tê-lo aqui. Fale um pouco, por favor, aos leitores do Amor ao Botafogo sobre quem é o jornalista Roberto Porto?
Roberto Porto - O Roberto Porto tornou-se jornalista por acaso. Apaixonado pelo Botafogo, fazia a Faculdade Nacional de Direito quando resolveu entrar para o jornalismo (Jornal do Brasil), pelas mãos dos saudosos Oldemário Touguinhó e Fernando Horácio. Hoje sei que o Direito não era o meu caminho. O jornalismo esportivo, o dia-a-dia do noticiário, logo após o Brasil ser bicampeão mundial - com a base do Botafogo - era muito mais forte e venceu. Venceu fácil, diga-se. Mas o Direito, o conhecimento das leis e a facilidade que a FND me proporcionou foram fundamentais para que eu garantisse meu lugar no JB - o velho e glorioso JB dos anos 60.
AB - Falemos sobre o Botafogo agora. Como e quando nasceu sua paixão pelo Botafogo de Futebol e Regatas?
RP - Minha paixão surgiu cedo, muito cedo, através de meu tio Júlio Lopes Fernandes, casado com a irmã de minha mãe. Como meu pai, rubro-negro, era um sujeito democrata ao extremo, mas ocupadíssimo como advogado, ficou em desvantagem . Meu tio fez também a cabeça de dois de meus quatro irmãos. O caçula é Flamengo - por imposição nossa para que meu pai não ficasse sozinho - e minha irmã mais velha, pela nossa proximidade com o Fluminense, em Laranjeiras, é Tricolor. Mas a filha mais velha dela (que figura na lista) virou alvinegra por causa dos tios.
AB - Na sua opinião, qual a melhor equipe do Alvinegro que você viu jogar?
RP - Meu melhor Botafogo é o de Manga, Joel, Zé Maria, Nílton Santos e Rildo; Aírton e Didi (depois Arlindo, pois o Mestre foi para a Espanha); Garrincha, Paulo Valentim (ou Quarentinha), Amarildo e Zagallo. O time campeão do RSP de 1962. Esse era um time rigorosamente imbatível.
AB - Escale o time do Glorioso de todos os tempos:
RP - É difícil. Mas seria Manga, Carlos Alberto Torres, Brito, Leônidas e Nílton Santos; Gérson e Didi; Garrincha, Jairzinho, Quarentinha e Zagallo (no 4-3-3).
AB - Roberto, qual(is) o(s) seu(s) maior(es) ídolo(s) no futebol?
RP - Tenho poucos. Nílton Santos resume todos eles.
AB - O que espera do BFR neste Campeonato Brasileiro?
RP - Não espero muito do BFR. Espero pelo menos que ele não faça a triste campanha que o levou à segunda divisão, em 2002, e não repita o quase vexame de 2004. Se ficar na posição intermediária já me dou por satisfeito.
AB - Amém! E quanto ao técnico Péricles Chamusca? O que acha do trabalho que ele está desenvolvendo no Botafogo?
RP - Acho que ele é rigorosamente inexperiente para dirigir um clube do porte e da fama do Botafogo, um clube de projeção nacional, pois tem torcida em todos os estados brasileiros.
AB - Concordo plenamente... Daí vem o grande dilema: quem tem condições de desenvolver um bom trabalho no comando da equipe, dentro das possibilidades financeiras do clube? Sugere algum nome que o agrade?
RP - Resposta dificílima. Mas gosto muito de Paulo Autuori, campeão brasileiro em 95 e atual técnico do São Paulo.
AB - Falando sobre o livro: quando decidiu escrever sobre o Botafogo?
RP - Sempre quis escrever um livro sobre o que chamo de "o meu Botafogo". O meu Botafogo é um clube repleto de histórias: alegres, tristes, trágicas, supersticiosas e míticas. Por isso tive a idéia e o título do livro é meu.
AB - Quanto tempo levou a elaboração do livro?
RP - Levou pouco tempo. Dias, talvez. Tenho a história do Botafogo na cabeça e a experiência de acompanhá-lo, primeiro como torcedor, depois como jornalista, há mais de 55 anos (tenho atualmente 65).
AB - Qual o diferencial do seu livro em relação aos outros já lançados sobre o Glorioso?
RP - Meu livro não é um almanaque. Não tem súmulas, resultados ou campanhas. É um livro de histórias que apurei ou escutei de pessoas ligadas ao clube, como João Saldanha, Sandro Moreyra, Luiz Mendes, Oldemário Touguinhó, Salim Simão e ex-jogadores que se dão comigo, como Nílton Santos, Zagallo. Conheci também dirigentes importantes para o clube como Carlito Rocha (já bem velhinho), Mauro Ney, Emil Pinheiro, Rolim e Carlos Augusto Montenegro. Sem querer, tornei-me uma espécie de especialista em Botafogo. O Botafogo é a minha referência de vida. À exceção das péssimas campanhas do jejum, quando me afastei para não sofrer, sei de tudo sobre a trajetória do clube.
AB - Há histórias pouco conhecidas sobre o Botafogo e seus personagens ilustres? Cite algumas dessas personalidades com as quais você teve contato:
RP - Já citei algumas. Mas as histórias abrangem a vida do Rio de Janeiro - o Rio que tinha charme - nos anos 40 e seus personagens, como o comandante Edu, da Panair do Brasil, e Heleno de Freitas (que vi jogar quando era garoto). O capítulo sobre o Edu da Panair foi escrito com emoção. Ele morreu pilotando um Constellation em 1950. Foi jogador do Botafogo com Althemar Dutra de Castilho (que também conheci), padrinho de casamento de Heleno e chefe do famoso Clube dos Cafajestes, ao lado de figuras conhecidas da cidade como Carlinhos Niemeyer, Mariozinho de Oliveira, a jovem Danusa Leão, o próprio Heleno, Ermelindo Matarazzo (parente do famoso conde Matarazzo) e outros. Conto também a história de dois personagens que foram parar na tela da TV Globo: Dinorah (em Desejo), vítima do duelo entre seu irmão Dilermando e Euclides da Cunha) e Paulo Valentim (em Hilda Furacão). Paulo Valentim não foi citado pela Globo, mas casou-se com Hilda Furacão e morreu quase como indigente em Buenos Aires (enterro em cova rasa pago pelo Boca Juniors).
AB - Há uma relação de 3500 torcedores do Botafogo no livro, eu entre eles e, por isso, sinto-me muito honrado. Explique o motivo dessa relação e da denominação "os 18 da Kombi":
RP - Esta relação foi uma idéia minha. Quase todos os livros sobre o Glorioso citam, no final, um grupo de famosos como Emilinha Borba, Zeca Pagodinho, Beth Carvalho, etc. Decidi listar famosos e não famosos, numa homenagem a esses últimos. Os 18 da Kombi é um capítulo aos eternos adversários do Botafogo, que costumam dizer que nós, alvinegros, só temos 18 torcedores e que cabemos numa Kombi. É uma ironia gigantesca com a quantidade de nomes. Fui obrigado a encerrar a lista porque, caso contrário, ocuparia o livro inteiro. Todos queriam figurar na "Kombi".
AB - Infelizmente nossa entrevista já chegou ao fim. Muito obrigado pela atenção, sei que seu tempo às vésperas do lançamento do livro está curtíssimo. Desejo-lhe toda a sorte do mundo nesta empreitada. Já garanti o meu exemplar! Mande Agora uma mensagem aos que acompanham o blog Amor ao Botafogo:
RP - Ok, Rodrigo. Obrigado. Só posso dizer aos que amam o Botafogo que é um clube inexcedível. Nenhum outro clube do Brasil tem o charme do Botafogo, a personalidade do Botafogo, a superstição do Botafogo. O Botafogo é um clube de massa. Massa cinzenta, esclareça-se. Ainda hoje, passado tanto tempo, ainda é o clube que mais jogadores cedeu à Seleção Brasileira. E o escudo do Botafogo é uma obra prima da comunicação. Há um capítulo apenas sobre isso, sobre a beleza do escudo da estrela solitária - estrela herdada do Club de Regatas Botafogo, fundado a 1 de julho de 1894.
SA!